sábado, 28 de abril de 2018

Fim de férias


Esse é o último final de semana que estarei de férias. Sim, tirei férias em Abril e nunca me arrependi tanto de uma escolha. Fiquei jogada em casa as férias todas, enquanto as pessoas levavam suas vidas normalmente. Antes de entrar de férias, estava completamente ansiosa para que chegasse o dia, porém, como sempre disse minha mãe, o melhor da festa é esperar por ela. Dito e feito, quando a festa chegou, me pareceu tão insossa que queria mais um tempinho para esperar por ela.

Estava trabalhando há um ano e meio seguido, sabia que precisava de um descanso para a mente, mas fica a dica, não vale a pena tirar férias para ficar sozinha em casa o dia todo sem nada para fazer. E Abril? Cara, vou falar, Abril não é um mês legal para sair de férias. Na verdade acho que Abril é bom somente para comer ovos de páscoa e olha lá, embora eu prefira em barras ou bombons, pois os ovos são tão caros. Quem ainda compra aquelas 300 gramas e paga o preço da grama do ouro? Fala sério. Enfim, Abril definitivamente não deu, foi uma merda total.

No começo das férias ficava pensando em como estariam as coisas no trabalho, tipo, o tempo todooo! E também passei mais da metade das férias pensando em como resolver os problemas decorrentes do acidente da Larissa. Ela é minha companheira, estamos juntas há mais de 8 anos, e em Março, bem no finalzinho do mês, ela sofreu um acidente, bateu em dois carros e atropelou uma mulher. Sim, porém não estava alcoolizada nem nada do tipo, eram apenas 08:00 da manhã e ela estava indo para o trabalho. Mas aí vem aqueles problemas todos decorrentes de um acidente, pagar os veículos envolvidos, prestar auxílio a vítima, que por sorte não ocorreu nada, mas tudo gera problema. E não sei, acho que para mim gera mais problema que aos outros, pois minha mente parece uma espiral. Quando eu entro em um pensamento que me preocupa, não consigo sair dele. Aquilo aperta meu coração, me deixa aflita. Fiquei as férias todas pensando que ela seria presa e que os envolvidos viriam bater na nossa porta exigindo horrores.

Não consigo, simplesmente não consigo me livrar desses pensamentos. Eles ficam rodando e rodando, e eu preciso de situações que me distraiam, caso contrário não consigo sair do buraco que minha mente me coloca. Quando eu tinha uns doze anos, briguei na escola com uma menina que andava comigo, e aquela briga completamente idiota fez com que eu pensasse que a menina ia acabar com a minha vida por aproximadamente um ano e meio. Eu acordava pensando nisso e dormia pensando nisso. É incrível. Eu sinceramente acredito que deveria ter ido atrás de um psicólogo, mas minha mãe nunca botou fé quando eu falava que não estava conseguindo lidar direito com determinada situação. "Você consegue, tira de letra". E eu tentava, acho que até escondia bem minhas aflições e medos. Até hoje escondo, mas isso não faz nada bem. Aquela angústia só passa quando o pensamento se desgasta, parece que eu preciso pensar naquilo que me aflige até que o pensamento fique opaco, meio apagado, e aí não me angustia nem me assusta mais.

Quase dez da noite e estou com um pouco de fome. Na verdade, vontade de comer. A minha compulsão por comida está absurda, assim como meu peso. Tudo que posso desconto na comida. O prazer em comer acho que tapa algum buraco, supre alguma necessidade obscura.

Ah, nessas férias eu li, li muito. Acho que foram 14 livros, eu adoro ler, mas é basicamente um livro a cada dois dias, isso para dar uma ideia de como eu não fiz porra nenhuma nessas férias. Vou ler mais um pouco ainda antes de dormir, hoje ainda é dia 28, provavelmente esse número chegará a 15, já estou na metade do livro que comecei ontem. 'O Concorrente' do Stephen King, nossa como eu amo esse cara, ele é muito foda, o livro é muito bom, e dá pra ler em 2 dias tranquilo. Bom, na verdade não sou parâmetro, acho que qualquer livro que cair na minha mão que não seja A Montanha Mágica e Ulysses eu termino em dois dias. Mas dá para ler rápido.

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